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O AR é mais um grupo de reflexão?

Não. O AR não dispensa, antes se enraíza num pensamento político na matiz personalista e humanista. Mas este é, acima de tudo, um tempo de acção, um tempo de mobilização. E o AR convoca para a acção, para a concertação de esforços, no sentido de contribuir para a construção de uma alternativa, que ganhe expressão e representatividade. Por isso, o AR disponibiliza-se para disputar eleições e ganhar espaço, na reflexão, na apresentação de propostas e na ambição de ganhar o Partido.

O AR é uma tendência no seio do CDS?

Não. O AR revê-se nos estatutos e no programa do Partido e não sentimos necessidade de demarcação em relação à matiz fundacional do Partido. Respeitamos as tendências que sejam criadas, mas queremos sobretudo unir e dialogar com todos. A construção de uma verdadeira alternativa, mais do que uma tendência, é uma urgência e apela a uma vaga de fundo. Mais do que um espaço demarcado de afirmação requer a capacidade de fazer pontes com quem estando perto de nós tem opiniões nem sempre coincidentes.

O AR pretende ser uma alternativa à actual Direcção do CDS?

O AR não se reconhece no actual ambiente partidário, a que o CDS não é alheio. Mas o AR não surge para promover a guerrilha e questionar a Direcção. Primeiro, porque a Direcção não é una e indistinta e nós sabemos distinguir quem, de entre os actuais protagonistas do Partido, tem feito um esforço sério de afirmação dos nossos valores. E, depois, porque respeitamos as instituições que a seu tempo foram eleitas pelos militantes. Por isso, o nosso empenho não é fazer oposição à actual Direcção, mas construir uma alternativa que, no tempo próprio, se afirmará com valores próprios e posturas diferenciadas.

As pessoas que se uniram em torno do AR dizem que, na sua maioria, não têm passado de militância partidária. Se estão a começar de novo, porque não a criação de um partido novo?

Um dos grandes problemas de Portugal é a instabilidade que leva sucessivamente à quebra de continuidade de políticas e de governos. Com a pulverização de movimentos e partidos novos, o cenário de instabilidade agrava-se. Por outro lado, entendemos que o nosso compromisso com a realidade obriga-nos a enfrentá-la, não a contorná-la. O CDS surgiu como um Partido sólido no seu Pensamento, consistente na capacidade de apresentar alternativas e fiável nos protagonistas que apresentou para representar o seu eleitorado. Este foi o desígnio que levou à sua criação. Cabe-nos a nós garantir que assim se mantenha.

O CDS está muito desacreditado. Porquê o CDS?

As pessoas guardam do CDS a imagem dos meses mais recentes mas, enquanto Partido, o CDS deu já um grande contributo à democracia. O CDS é um partido que na sua génese afirma o personalismo humanista e é essa a razão porque escolhemos o CDS. Não pela sua prática mais recente, mas pela doutrina que tem impressa nos seus estatutos e pela intervenção activa do seu potencial eleitorado. Dos que acreditam. Não pelo que é, mas pelo que pode e deve ser. Um objectivo possível e necessário, se nós assumirmos a responsabilidade de o renovar.

O humanismo personalista é confessional?

Não. Sucede que uma boa parte dos valores civilizacionais que comungamos, e dos valores em que se fundam as sociedades Ocidentais a que gostamos de pertencer, têm por base o cristianismo. Inevitavelmente, pois, alguns dos valores em que o humanismo personalista assenta começaram por ser também valores cristãos – desde logo os valores da vida humana e da pessoa. Mas estes valores são, hoje, património secular. O humanismo personalista não segue a cartilha religiosa. Mas também não rejeita valores apenas porque estes são partilhados pelas religiões.

O AR é uma candidatura à Distrital de Lisboa?

O AR pretende contribuir para a construção de uma verdadeira alternativa em Portugal. A Distrital de Lisboa faz parte desse caminho, mas não é seguramente o objectivo final do Movimento. O envolvimento partidário deve privilegiar políticas de proximidade, partindo do local para o nacional, da base para o topo. Por isso, disponibilizamo-nos para discutir as eleições locais e apelamos a que noutros pontos do País idêntico rumo seja seguido.